Operação conjunta desarticula quadrilha que lavava dinheiro por meio de postos, motéis e fintech em SP
Uma megaoperação deflagrada na manhã desta quinta-feira (25) em São Paulo desarticulou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que movimentava bilhões de reais por meio de postos de combustíveis, redes de motéis e até uma fintech. A Operação Spare é resultado de uma força-tarefa formada pela Polícia Militar, Ministério Público e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.
O grupo investigado já acumula autos de infração que ultrapassam R$ 7 bilhões, além de mais de R$ 500 milhões em débitos inscritos em dívida ativa com o Estado. As ações de hoje cumpriram 25 mandados de busca e apreensão na capital paulista, Grande São Paulo, Baixada Santista e Vale do Paraíba.
A Operação Spare é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto deste ano, que revelou um esquema semelhante no setor de combustíveis com participação de membros de uma facção criminosa.
Lavagem de dinheiro em postos, motéis e fintechs
Segundo as investigações, a quadrilha utilizava 267 postos de combustíveis, mais de 60 motéis e uma fintech como estruturas para escoar e movimentar os recursos ilícitos. Entre 2020 e 2024, os motéis movimentaram R$ 450 milhões.
A fintech atuava como elo central para as transações financeiras entre os diferentes grupos criminosos, inclusive em operações conjuntas, como a compra e distribuição de metanol para abastecer os postos.
Além disso, a quadrilha também mantinha empresas de fachada e vínculos diretos com lideranças de uma facção criminosa, o que reforça o grau de periculosidade da organização.
Declarações das autoridades
O governador Tarcísio de Freitas destacou o caráter estratégico da operação no combate ao crime organizado:
“Não daremos trégua para o crime organizado no estado de São Paulo. A nossa inteligência tem trabalhado incessantemente para desmontar essas organizações criminosas, para fazer a asfixia financeira.”
O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, enfatizou a importância da atuação coordenada:
“O combate ao crime organizado é prioridade absoluta do Governo de São Paulo. Com a força dessa integração entre Polícia Militar, Ministério Público e demais instituições, seguimos firmes para proteger a sociedade.”
Já o subsecretário adjunto da Receita Estadual, Paulo Ribeiro, detalhou a atuação da Secretaria da Fazenda:
“Nosso trabalho de inteligência permitiu identificar vínculos cadastrais entre pessoas físicas e jurídicas, além de bloquear preventivamente a criação de novas empresas ligadas ao grupo.”
Origem das investigações
As investigações tiveram início em 2020, após a Polícia Militar encontrar uma casa de jogos clandestinos em Santos. Uma das máquinas apreendidas estava ligada a um posto de combustíveis, o que levou ao rastreamento da estrutura criminosa que hoje é alvo da Operação Spare.
Grande mobilização
A operação contou com mais de 110 policiais militares do Comando de Choque, além de agentes da Receita Federal, equipes da Secretaria da Fazenda, Ministério Público e Procuradoria-Geral do Estado.
As ações buscam enfraquecer o poder econômico das organizações criminosas e proteger a economia formal, prejudicada pela concorrência desleal e sonegação de impostos.
“A Operação Spare reforça o compromisso do Estado com o desmonte de redes criminosas que afetam diretamente o consumidor e a arrecadação pública”, destacou o comunicado oficial da Secretaria da Fazenda.

