Oito alvos seguem foragidos após operações da PF contra lavagem de dinheiro
Oito pessoas permanecem foragidas após as três operações deflagradas pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (28) para combater a lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis. Das 14 ordens de prisão expedidas pela Justiça, apenas seis foram cumpridas até o momento, levantando a hipótese de vazamento de informações sobre as operações, batizadas de Quasar, Tank e Carbono Oculto.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o grupo criminoso investigado na Operação Tank atuava desde 2019 e teria movimentado mais de R$ 23 bilhões em recursos ilícitos. A rede envolvia centenas de empresas, entre postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e até instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.
Oito prisões estão em aberto. São elas:
- Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “João”, “Primo” ou “Jumbo”, é apontado como “epicentro” do esquema. Ele foi preso em flagrante em 2010 por tentativa de subornar policiais civis. Na ocasião, foram encontradas com ele munições de metralhadora .50
- Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, considerado “colíder” do esquema
- Daniel Dias Lopes, considerado “pessoa chave” no esquema por ter ligação com distribuidoras de combustíveis do Mohamad
- Miriam Favero Lopes, esposa de Daniel e sócia de empresas ligadas às fraudes
- Felipe Renan Jacobs, empresário do setor de combustíveis
- Renato Renard Gineste, empresário do setor de combustíveis
- Rodrigo Renard Gineste, dono de varejista de de roupas
- Celso Leite Soares, dono de empresa que cultiva cana-de-açúcar, no interior de São Paulo
Operação Tank: “uma das maiores redes de lavagem de dinheiro”
A Operação Tank, considerada o núcleo central das investigações, teve como alvo o desmantelamento de uma das maiores estruturas de lavagem de dinheiro já identificadas no Paraná.
Em coletiva de imprensa, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, chamou atenção para o fato de que apenas seis dos 14 alvos foram presos:
“Não é uma estatística normal das operações da PF”, afirmou.
Outras frentes: Quasar e Carbono Oculto
Além da Tank, a PF também deflagrou a Operação Quasar, que visava desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras. De acordo com a investigação, o grupo utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de conexão com facções criminosas.
Já a Operação Carbono Oculto mirou um sofisticado esquema de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, também controlado por organizações criminosas.
Situação atual
De acordo com informações da própria Polícia Federal à Agência Brasil, o número de presos permaneceu em seis até a manhã desta sexta-feira (29). A PF prossegue nas buscas pelos foragidos e investiga a possibilidade de vazamento que possa ter atrapalhado o cumprimento das ordens judiciais.

