Polícia investiga suspeita de trabalho análogo à escravidão em comunidade terapêutica
A Polícia Civil de São Paulo investiga uma denúncia de trabalho análogo à escravidão envolvendo pacientes de uma comunidade terapêutica localizada em Araçoiaba da Serra (SP). A apuração teve início após a Guarda Civil Municipal (GCM) de Taquarituba (SP) encontrar oito homens vendendo sacos de lixo na Praça da Matriz, nesta segunda-feira (15).
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), os pacientes afirmaram que a venda dos sacos plásticos era utilizada para custear os próprios tratamentos na comunidade terapêutica. O relato levantou suspeitas que motivaram a abertura de investigação por parte das autoridades.
De acordo com a GCM, os homens relataram diversas irregularidades cometidas pela instituição, incluindo:
- Falta de alimentação adequada;
- Substituição de medicamentos por rapé (tabaco em pó), concedido como recompensa pelo cumprimento de metas de venda;
- Retenção de documentos pessoais e celulares;
- Punições em caso de descumprimento de metas ou regras internas.
Os relatos indicam a possibilidade de violação de direitos humanos, especialmente em relação às condições às quais os pacientes estavam submetidos.
A SSP confirmou que as vítimas foram encaminhadas à Delegacia da Polícia Civil de Taquarituba, onde prestaram depoimentos. Durante a ação, também foram apreendidos:
- Dois celulares (um do motorista da van e um do coordenador da equipe),
- Uma porção de rapé (15,8 gramas),
- Sacos de lixo,
- A van utilizada para transportar os pacientes.
O caso foi formalmente registrado como redução à condição análoga à de escravo, além de localização e apreensão de veículo e objetos.
Em nota oficial, a Prefeitura de Taquarituba informou que acompanha as investigações, as quais apuram possíveis práticas abusivas e irregulares por parte da comunidade terapêutica. Os responsáveis pela instituição já foram notificados, mas, até o momento, não houve resposta.
Novas informações devem ser divulgadas à medida que o inquérito policial avança.

