Interpol inclui oito foragidos da Operação Carbono Oculto em lista vermelha
A Interpol incluiu oito suspeitos foragidos da megaoperação Carbono Oculto, deflagrada na quinta-feira (29) contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), na difusão vermelha da organização. A medida permite que os investigados sejam localizados e presos em qualquer um dos 196 países que integram a rede internacional de cooperação policial.
Com a inclusão na lista, os nomes passam a ser considerados foragidos internacionais. A difusão vermelha contém dados como foto, nacionalidade, características físicas e crimes atribuídos aos procurados.
Foragidos na lista da Interpol
Os nomes foram encaminhados pela Polícia Federal à Interpol. Entre os investigados estão:
- Mohamed Hussein Mourad, o Primo, apontado como peça-chave do esquema;
- Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, natural de Avaré (SP), também considerado central nas fraudes.
- Daniel Dias Lopes, considerado “pessoa chave” no esquema por ter ligação com distribuidoras de combustíveis do Mohamad;
- Miriam Favero Lopes, esposa de Daniel e sócia de empresas ligadas às fraudes;
- Felipe Renan Jacobs, empresário do setor de combustíveis;
- Renato Renard Gineste, empresário do setor de combustíveis;
- Rodrigo Renard Gineste, dono de varejista de roupas;
- Celso Leite Soares, dono de empresa que cultiva cana-de-açúcar, no interior de São Paulo
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), há suspeitas de que a operação tenha sido vazada para os alvos. Parte dos investigados deixou suas casas ainda de madrugada, antes da chegada da polícia. Apesar disso, os principais endereços da investigação, como a sede do BK Bank, não foram comprometidos.
Mandados e prisões
Ao todo, a Justiça Federal expediu 14 mandados de prisão preventiva, mas apenas seis suspeitos foram capturados no dia da operação. Os demais seguem foragidos.
Batizada de Carbono Oculto, a ação é considerada a maior já realizada contra o crime organizado no Brasil.
Esquema bilionário do PCC
A operação investiga um esquema criminoso bilionário no setor de combustíveis, comandado pelo PCC. As fraudes envolvem:
- Sonegação de impostos estimada em R$ 7,6 bilhões;
- Movimentação financeira de R$ 52 bilhões por meio de empresas de fachada;
- Uso de fundos de investimento para ocultação de patrimônio ilícito;
- Operações imobiliárias e financeiras entre empresas do mesmo grupo.
A Receita Federal identificou 40 fundos de investimento, com patrimônio de R$ 30 bilhões, ligados à facção. Parte das operações era conduzida em São Paulo, na região da Avenida Faria Lima, por membros infiltrados no mercado financeiro.
Megaoperação nacional
A força-tarefa contou com 1.400 agentes da Polícia Federal, Receita Federal e MP-SP, que cumpriram 200 mandados de busca e apreensão contra 350 alvos em 10 Estados.
A expectativa das autoridades é que a inclusão dos investigados na lista da Interpol acelere as prisões e desarticule a rede internacional de lavagem de dinheiro do PCC.

