Dia de Reis: tradição centenária reúne fé, música e cultura popular em todo o Brasil
Celebrado nesta terça-feira, 6 de janeiro, o Dia de Reis mantém viva uma das mais antigas manifestações da cultura popular brasileira: a passagem das folias de reis pelas ruas, com cantadores, instrumentistas e personagens que entoam versos em homenagem aos três reis magos — Baltazar, Belchior e Gaspar.
A festividade marca o fim do ciclo natalino e tem raízes na tradição cristã, que relembra a visita dos magos ao menino Jesus, em Belém. Conforme o relato bíblico, eles vieram do Oriente guiados por uma estrela, trazendo presentes simbólicos: ouro (realeza), incenso (espiritualidade) e mirra (imortalidade).
Folia pelas ruas e devoção popular
Em várias partes do Brasil, os grupos de Folia de Reis se apresentam trajando fardas coloridas, máscaras, coroas e com múltiplos instrumentos — como violas, sanfonas e pandeiros —, passando de casa em casa com cantorias e danças. Muitos também cumprem promessas ou recolhem donativos para causas religiosas e sociais.
A tradição, de origem portuguesa, chegou ao Brasil no período colonial com nomes como Terno de Reis, Rancho de Reis, Guerreiros, Reisado ou Tiração de Reis. Atualmente, está presente principalmente nos estados das regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Alagoas, Goiás e Maranhão.
Destaques da celebração em várias regiões
- Maranhão (Caxias): A Praça da Matriz recebe vários folguedos como Encanto da Terra, Jacar, Reisado Mirim, Encanto dos Corais e a apresentação dos Três Reis Magos.
- Rio Grande do Norte (Natal): A festa começa à meia-noite com vigília no Santuário de Santos Reis, seguida de missas ao longo do dia e uma procissão no bairro Reis Magos.
- Piauí (Boa Hora): O 26º Festival de Reisado reúne grupos como Boi Maravilha, Estrela e Esperança. O evento inclui apresentações e o tradicional ritual da morte dos bois.
- Pernambuco (Recife): A tradicional Queima da Lapinha, na Rua Nova, marca o encerramento dos festejos natalinos e abre simbolicamente o ciclo do Carnaval.
- Minas Gerais: Com mais de 1.600 grupos cadastrados em 400 municípios, a Folia de Reis é considerada patrimônio cultural imaterial desde 2017 pelo Iepha (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico).
- Rio de Janeiro: O Iphan e a Uerj identificaram a presença das folias em pelo menos 15 municípios fluminenses, incluindo Angra dos Reis, Cabo Frio, Petrópolis, Mangaratiba e Rio de Janeiro.
- São Paulo: A tradição é forte na microrregião de Ourinhos e Assis, com grupos como Companhia de Reis Três Ilhas, Bandeiras de Santos Reis de Ribeirão Grande e Companhia de Reis Faceiros Jr.
Patrimônio cultural em análise
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) analisa atualmente três pedidos de reconhecimento como patrimônio imaterial:
- Reisados de Pernambuco
- Folias de Reis do Estado do Rio de Janeiro
- Folias de Reis do Estado de São Paulo
Em Pernambuco, o título estadual foi concedido em 2022. O mapeamento da Fundarpe identificou atividades em cidades como Garanhuns, Arcoverde, Santa Maria da Boa Vista e Recife, abrangendo o agreste e a região metropolitana.
Encerramento do ciclo natalino
Além das manifestações culturais e religiosas, o Dia de Reis também marca o encerramento oficial dos festejos natalinos. É tradição desmontar presépios, árvores e decorações de Natal nessa data, em respeito ao momento simbólico da chegada dos reis magos ao menino Jesus.
A celebração, além de seu valor religioso, representa um importante resgate da cultura popular, fortalecendo a memória coletiva, a identidade local e a diversidade regional do Brasil.

