Secretária da Administração de Paranapanema confirma atuação política de vereador durante horário de trabalho
A secretária de Administração da Prefeitura de Paranapanema, Gabrieli Feliciano da Silva, confirmou durante depoimento à Comissão Parlamentar de Investigação (CPI) que o vereador Osmar Gonçalves utilizava o horário de expediente como servidor público para tratar de assuntos políticos. A oitiva aconteceu na última quinta-feira (25), na Câmara Municipal.
Segundo Gabrieli, enquanto ocupava o cargo de telefonista na Prefeitura, Osmar realizava diversas ligações e mensagens com solicitações políticas, como pedidos de vagas em creches, uso de transporte escolar e outras demandas não relacionadas às suas funções administrativas. A secretária também relatou que o servidor se ausentava frequentemente sem autorização e que recebeu reclamações de outros secretários sobre a conduta do parlamentar.
O vereador Osmar Gonçalves foi exonerado do cargo de telefonista por meio da Portaria nº 819, de 18 de junho de 2025, após conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A decisão, publicada no Diário Oficial do Município, apontou infrações funcionais graves e prática de atos de improbidade administrativa que causaram prejuízo ao erário público.
Condutas apuradas no PAD:
- Uso do horário de trabalho na Prefeitura para exercer atividades parlamentares;
- Envio de mensagens e ligações com cobranças políticas a secretários;
- Falta de atendimento ao ramal do setor;
- Presença de terceiros em seu local de trabalho por longos períodos;
- Ausência não autorizada para tratar de assuntos pessoais;
- Alegação de desconhecimento das atribuições do cargo após mais de 20 anos de serviço.
O caso também foi encaminhado ao Ministério Público, que avaliará a possível ocorrência do crime de peculato-desvio, já que ficou configurada a utilização de recursos públicos para finalidades alheias à função pública.
A repercussão levou à abertura de um pedido formal de cassação do mandato de Osmar, apresentado por Alex Aparecido Ferreira Plens. O pedido argumenta que a manutenção do vereador no cargo compromete a credibilidade da Câmara Municipal e a confiança da população de Paranapanema.

