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EDITORIAL: Cortina de fumaça não apaga o essencial na Câmara de Avaré

A Comissão Processante da Câmara de Vereadores de Avaré deu mais um passo na investigação sobre a suposta quebra de decoro parlamentar do presidente do Legislativo, cabo Samuel Paes. No entanto, o rumo que parte dos depoimentos vem tomando levanta um questionamento inevitável: o foco da apuração está sendo mantido ou deliberadamente desviado?

O depoimento de Priscila Bexiga trouxe à tona a informação de que a jornalista Cida Koch teria colaborado na elaboração da denúncia protocolada contra o parlamentar. O fato vem sendo utilizado por defensores do presidente como argumento central para descredibilizar toda a denúncia. Trata-se, ao que tudo indica, de uma tentativa clássica de desvio de foco — uma cortina de fumaça.

Independentemente de quem tenha redigido ou auxiliado na denúncia — seja Priscila, Cida, Juliane, Vinícius ou qualquer outro cidadão — o ponto central permanece inalterado: houve ou não quebra de decoro parlamentar por parte do presidente da Câmara?

Os fatos que motivaram a abertura da Comissão são claros e públicos. O presidente deixou a cadeira, interveio diretamente em um protesto no plenário, retirou um manifestante à força, proferiu a frase “aqui quem manda sou eu” e expôs o Legislativo local a uma situação que repercutiu negativamente em todo o país. Esse conjunto de ações, por si só, já levanta questionamentos sérios sobre conduta, postura institucional e respeito ao cargo.

A insistência em reduzir o debate à existência ou não de agressão física limita perigosamente o escopo da análise. Quebra de decoro não se restringe a atos violentos; envolve também abuso de autoridade, comportamento incompatível com a função pública e atitudes que fragilizam a credibilidade da instituição perante a sociedade.

Outro ponto que chama atenção é a condução dos trabalhos da Comissão. Desde o início, há sinais de que o processo pode caminhar para um julgamento mais político do que técnico. Nos bastidores, a percepção de tentativa de proteção ao presidente é evidente — ainda que acompanhada de uma preocupação crescente com a repercussão junto à opinião pública.

Diante desse cenário, cresce a responsabilidade do relator, Magno Greguer, e dos demais vereadores. O desfecho desse processo não será apenas uma decisão interna da Câmara, mas um posicionamento público sobre quais padrões de conduta são aceitáveis no exercício do poder.

A sociedade acompanha — e espera — que o foco volte ao que realmente importa.

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