O piloto de aeronaves Mauro Mattosinho revelou, em entrevista ao ICL Notícias, que realizou um voo para o Uruguai com integrantes da família do empresário avareense Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, apenas três dias antes da deflagração das megaoperações conjuntas da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo que desarticularam um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Mattosinho trabalhou na TAP (Táxi Aéreo Piracicaba) entre novembro de 2023 e setembro de 2024. Ele afirmou ter transportado mais de 30 vezes tanto Roberto Leme quanto Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, apontados como líderes da estrutura criminosa. Ambos estão foragidos da Justiça.
Segundo o piloto, no dia 25 de agosto, foi informado em um grupo interno da TAP sobre um voo marcado para Punta del Este, no Uruguai, com a família de Beto Louco. A viagem ocorreu em 27 de agosto, véspera das operações Carbono (MP-SP), Quasar e Tank (PF), realizadas simultaneamente no dia 28.
O avião, um jato de prefixo PR-SMG, partiu do aeroporto Catarina, em São Roque (SP), levando sete integrantes da família de Beto Louco. Mattosinho relatou que o clima durante o voo era de “tensão e abatimento” entre os passageiros.
Durante a estadia em Punta del Este, o piloto disse não ter visto Roberto Leme. A volta ao Brasil ocorreu no dia 31 de agosto, quando a aeronave foi abordada por agentes da Polícia Federal sob a suspeita de que Beto Louco estivesse a bordo, o que não se confirmou.
“Embora aquilo não tenha me causado exatamente surpresa, entendi a situação que a família estava passando ali”, relatou Mattosinho sobre o período no Uruguai.
As investigações apontam que o grupo criminoso estava envolvido em fraudes bilionárias no setor de combustíveis e no uso irregular de fundos de investimento da Faria Lima, em São Paulo. Autoridades acreditam que houve vazamento de informações, permitindo a fuga de suspeitos antes das operações.
📌 Posição das defesas e da empresa
- A defesa de Mohamad Hussein Mourad (“Primo”) informou que não irá se manifestar.
- O advogado de Roberto Leme (“Beto Louco”), Celso Vilardi, não respondeu aos contatos.
- Em nota, a TAP disse desconhecer declarações atribuídas a funcionários e negou saber do envolvimento dos investigados antes da deflagração da operação. A empresa afirmou ainda que segue a legislação e não pode divulgar informações de passageiros sem autorização ou requisição oficial.

