Pesquisadoras da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP desenvolveram uma nova formulação líquida com nanocristais de firocoxibe para o tratamento de cães com osteoartrite, doença degenerativa que compromete a mobilidade e a qualidade de vida de animais idosos. A inovação, considerada um avanço na medicina veterinária, demonstrou duas vezes mais concentração no sangue em comparação aos medicamentos convencionais.
O firocoxibe, princípio ativo já conhecido no uso veterinário, foi transformado em nanocristais, permitindo uma melhor absorção e biodisponibilidade. Os testes em cães da raça beagle mostraram que a nova fórmula líquida atinge concentração de 1.105 ng/mL em 30 minutos, enquanto o medicamento convencional alcança 580 ng/mL em uma hora. Ambos caem para níveis semelhantes após 24 horas, mas o início da ação é significativamente mais rápido com a nova formulação.
Por que a inovação é importante?
Segundo a pesquisadora Luiza de Oliveira Macedo, responsável pelo estudo, a nanotecnologia permite a fragmentação das partículas do fármaco a tamanhos até 200 nanômetros, o que amplia sua eficácia. “Os comprimidos atuais têm baixa solubilidade e absorção, o que limita seus efeitos terapêuticos”, explicou.
Além disso, a forma líquida facilita a administração em pets, com ajuste de doses conforme o peso do animal, o que é especialmente relevante em cães idosos ou com dificuldades de mastigação.
Testes e segurança
A avaliação inicial de toxicidade foi feita em larvas de Galleria mellonella, um modelo biológico simples e de baixo custo. Mesmo com doses até dez vezes superiores à convencional, não foram observados efeitos adversos significativos. Após esses resultados, os testes foram realizados com cães.
Impacto no mercado pet
A inovação surge em um momento de crescimento do setor pet no Brasil. Em 2024, o mercado movimentou R$ 75,4 bilhões, sendo R$ 7,8 bilhões apenas com produtos veterinários, segundo a Abinpet. A professora Nádia Araci Bou-Chacra, orientadora da pesquisa, destaca a importância da formulação: “Os pets hoje são parte da família, e a demanda por tratamentos mais eficazes só tende a crescer.”
Caminho até o mercado
Embora a patente já tenha sido registrada junto ao INPI, a comercialização do medicamento ainda depende de ensaios em larga escala, validações industriais e aprovação regulatória. Uma indústria veterinária já demonstrou interesse no desenvolvimento da fórmula.
O próximo desafio é adaptar a tecnologia aos padrões de produção industrial, garantindo segurança, rastreabilidade e uniformidade do produto final, conforme as normas internacionais de boas práticas.

