A cidade de Avaré amanheceu em luto e indignação nesta sexta-feira (29), após a morte da uma adolescente, de apenas 17 anos, que enfrentava há semanas uma batalha contra sintomas persistentes e sem diagnóstico efetivo no Pronto-Socorro Municipal. A notícia de sua morte causou forte comoção nas redes sociais e mobilizou a população, que passou a relatar casos semelhantes e exigir justiça.
O falecimento da jovem, na noite de quarta-feira (27), se transformou rapidamente em um símbolo de revolta coletiva diante do que moradores chamam de uma sequência de atendimentos negligentes na principal unidade de urgência da cidade.
Rede de solidariedade e revolta
A comoção foi imediata. Amigos, vizinhos, colegas de escola e moradores da cidade se uniram em manifestações virtuais de luto e protesto. Em centenas de comentários, a dor deu lugar à cobrança por respostas e à denúncia de outros episódios parecidos.
“Mais uma negligência médica tirando mais uma vida? Até quando isso? Cadê os vereadores pra irem naquele matadouro?”, escreveu uma internauta, em publicação que viralizou nas redes sociais.
“Faz quase dez dias que ela ia e voltava do PS. Estamos chocados.”
As postagens se multiplicaram em tom de desabafo, compartilhamento de experiências e pedidos de investigação. O clima nas redes sociais se transformou em um verdadeiro luto coletivo.
Repetidas idas ao pronto-socorro sem diagnóstico
Segundo relatos da família, a jovem apresentava sintomas como pressão alta, dores de cabeça e vômitos há semanas. Mesmo com diversas idas ao Pronto-Socorro Municipal, os atendimentos se limitaram à administração de medicamentos sintomáticos. Não houve, até os últimos momentos, uma abordagem mais profunda.
No dia 27, já em estado grave, a jovem foi levada ao PS novamente. Uma tomografia foi solicitada, mas, de acordo com a mãe, não indicou alterações. Ainda assim, ela teria tido convulsões, foi medicada com remédios para convulsão, emagrecimento e enxaqueca e foi liberada. Horas depois, voltou a passar mal e morreu após ser socorrida pelo SAMU.
O corpo foi levado para necropsia na UNESP de Botucatu e, depois, encaminhado ao IML de Avaré. O velório acontece no Velório Municipal, e o sepultamento está marcado para esta sexta-feira (29), às 8h, no Cemitério Municipal.
Exigência de respostas
A Secretaria Municipal de Saúde ainda não se pronunciou. O silêncio das autoridades aumenta a indignação popular. Muitos moradores direcionam críticas à empresa terceirizada responsável pelos atendimentos na unidade.
A família registrou boletim de ocorrência e busca justiça. O caso gerou uma onda de mobilização social, com pedidos por mudanças urgentes no atendimento médico da cidade.
Mais que uma tragédia: um grito por mudança
A morte da adolescente escancarou uma crise que, segundo moradores, já se arrasta há meses. Não se trata apenas da perda de uma jovem com sonhos interrompidos, mas de um alerta sobre a falência de um sistema que deveria salvar vidas.
A cidade clama por respostas, e Maria Clara, agora, representa não só a dor de uma família, mas o grito sufocado de uma comunidade inteira por dignidade, cuidado e justiça.
A Prefeitura de Avaré ainda não se manifestou sobre o caso, a reportagem será atualizada assim que a nota for divulgada.

