As recentes decisões da gestão do prefeito Roberto de Araújo, em Avaré, têm gerado mais dúvidas do que soluções para a população, especialmente quando o assunto é tributação.
A suspensão da Taxa de Proteção a Desastres, anunciada como uma medida positiva, na prática revela uma contradição: o contribuinte continua pagando normalmente em 2026, com a promessa de compensação apenas no IPTU de 2027. Ou seja, não há alívio imediato — apenas um adiamento contábil.
Esse tipo de decisão levanta um questionamento inevitável: qual o real benefício para o cidadão no presente?
Além disso, o cenário se torna ainda mais preocupante quando analisado em conjunto com a questão do IPTU. Após forte repercussão negativa, a Prefeitura optou por suspender a atualização cadastral baseada em georreferenciamento, que havia provocado aumentos expressivos no imposto. No entanto, a medida também é temporária.
Na prática, o problema não foi resolvido — apenas postergado.
A expectativa é que essa revisão retorne em 2027, o que pode resultar em aumentos ainda mais significativos no IPTU. Nesse contexto, a compensação da taxa de desastres tende a ser pouco relevante diante de um possível salto no valor do imposto.
O que se observa é um padrão de decisões reativas: primeiro aplica-se uma medida que impacta diretamente o bolso do contribuinte; depois, diante da repercussão, recua-se parcialmente, sem necessariamente oferecer uma solução definitiva ou transparente.
Outro ponto sensível é a comunicação. Medidas como “suspensão” acabam sendo interpretadas pela população como cancelamento ou isenção, quando na realidade representam apenas ajustes técnicos que mantêm a carga financeira, ainda que de forma indireta.
Esse tipo de condução pode comprometer a confiança da população na administração pública, especialmente em um tema tão sensível quanto a cobrança de tributos.
A gestão municipal tem o desafio de equilibrar responsabilidade fiscal com previsibilidade e clareza para o contribuinte. No entanto, até o momento, as decisões adotadas indicam um cenário de incerteza, onde o cidadão paga agora, entende depois — e possivelmente paga mais no futuro.

