O Ministério da Saúde escolheu Botucatu (SP) como a primeira cidade do Brasil a receber uma ação especial para medir, em tempo real, o impacto da nova vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A campanha terá início no primeiro trimestre de 2026 e deve imunizar entre 40% e 50% da população local de 15 a 59 anos.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa busca avaliar a efetividade do imunizante fora dos estudos clínicos, em condições reais, com acompanhamento direto da redução de casos da doença. “Quando a gente chegar a 40% a 50% da população vacinada, podemos ter um controle maior da doença”, afirmou o ministro.
Botucatu foi selecionada por apresentar forte circulação do sorotipo DENV-3, que teve papel central no aumento de casos de dengue no país em 2024. A cidade também tem um histórico relevante de participação em pesquisas científicas, como na pandemia de Covid-19, quando participou de uma ação de vacinação em massa com a vacina da AstraZeneca, em parceria com a Unesp e o próprio ministério.
Além da ação em Botucatu, o Sistema Único de Saúde (SUS) iniciará uma campanha nacional com 1,3 milhão de doses da nova vacina a partir de 2026. Inicialmente, os profissionais da Atenção Primária à Saúde e adultos entre 50 e 59 anos serão os primeiros vacinados. A aplicação do imunizante, que é de dose única e protege contra os quatro sorotipos da dengue, deve começar até o fim de janeiro.
De acordo com a Anvisa, a vacina demonstrou 74,7% de eficácia contra casos sintomáticos e 89% de proteção contra formas graves da doença, representando um avanço significativo no combate à dengue no Brasil.

