Botucatu inicia vacinação contra a dengue com vacina 100% brasileira
O Governo de São Paulo dá um passo histórico no combate à dengue. Neste domingo, 18 de janeiro, a cidade de Botucatu será a primeira do Brasil a iniciar a vacinação em massa com a Butantan-DV, a vacina 100% nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue e será aplicado como parte de um estudo de impacto coordenado pelo Ministério da Saúde.
Botucatu foi escolhida pela sua infraestrutura de saúde e experiência em grandes campanhas de imunização, como durante a pandemia de Covid-19. O objetivo da estratégia é vacinar 90% da população entre 15 e 59 anos, além de avaliar a efetividade da nova vacina em larga escala. A Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp) participa da ação, monitorando e analisando os casos da doença com rigor científico.
Locais e horários
No domingo, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade, além do Espaço Saúde, estarão abertas das 8h às 17h. A recomendação é que os moradores procurem preferencialmente a UBS de referência de seu bairro. Para receber a dose, é necessário apresentar um documento com foto, CPF e comprovante de residência.
Vantagens da dose única
Diferente das demais vacinas disponíveis no mercado, a Butantan-DV é administrada em dose única, facilitando a adesão da população e reduzindo custos logísticos. A tecnologia foi considerada inovadora e eficiente.
Os dados de cinco anos de estudo clínico de fase 3, enviados à Anvisa, comprovam a eficácia da vacina:
- 74,7% de eficácia geral
- 91,6% contra casos graves e com sinais de alarme
- 100% de eficácia contra hospitalizações
O estudo envolveu mais de 16 mil voluntários em 14 estados do Brasil, com publicações nas revistas científicas The New England Journal of Medicine e The Lancet Infectious Diseases.
Segurança comprovada
A Butantan-DV é composta pelos quatro sorotipos da dengue e demonstrou segurança tanto em pessoas que já tiveram a doença quanto naquelas que nunca foram infectadas. As reações adversas mais comuns foram dor e vermelhidão no local da aplicação, manchas vermelhas, dor de cabeça e fadiga, todas consideradas leves a moderadas.
Futuras ampliações
O Instituto Butantan já recebeu autorização da Anvisa para testar a vacina em pessoas entre 60 e 79 anos. A expectativa é também ampliar futuramente para o público pediátrico entre 2 e 11 anos, faixa etária para a qual a segurança já foi confirmada nos estudos clínicos.

